
Têm sido associadas aos oceanos diversas formas de energias potencialmente utilizáveis, sendo as mais comuns, devido ao seu maior potencial de utilização, as resultantes da conversão da energia cinética, gerada pelas marés e pelas ondas, em energia eléctrica.
A conversão de energia a partir das ondas e marés apresenta claras semelhanças com a eólica. Caracterizam-se por não serem fontes de energia contínuas, e serem variáveis e, no caso da eólica e das ondas, imprevisíveis. Em ambos os casos extrai-se energia cinética dum meio fluido em movimento e de extensão praticamente ilimitada, e os sistemas de aproveitamento são modulares, com potências instaladas por unidade previsivelmente inferiores à dezena de MW.
A maior complexidade dos sistemas de conversão e a maior agressividade do meio explicam o atraso da tecnologia das ondas em relação à eólica.
A energia das ondas tem sido objecto, a nível nacional e internacional, de grande actividade de investigação e desenvolvimento. As regiões costeiras portuguesas, em especial a costa ocidental do continente e as ilhas do Arquipélago dos Açores, estão entre as que têm melhores condições naturais, a nível europeu e mesmo mundial, para o aproveitamento da energia das ondas, salienta o relatório do Forum Energias Renováveis em Portugal. A energia que chega à costa ocidental do continente (500 km) é de cerca de 120 TWh/ano. A conversão de apenas 1% desta energia em energia útil produziria 1,2 TWh/ano.
Em Portugal, país pioneiro na investigação e desenvolvimento na área da energia das ondas, encontram-se dois dos poucos protótipos de dimensão industrial: na Ilha do Pico e em Viana do Castelo. A competência específica nesta área está essencialmente concentrada no Instituto Superior Técnico e no INETI - Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação.
A Europa (Portugal, Reino Unido, Irlanda, Holanda, Noruega, Dinamarca) e alguns outros países (Japão, Índia, China, Austrália, EUA) têm desempenhado o papel mais importante no desenvolvimento da utilização da energia das ondas.
Numa perspectiva mais abrangente, existe substancial capacidade técnica em Portugal na área do mar, nomeadamente engenharia costeira, portuária e naval.